O célebre vídeo...
Acho que já toda a gente deve ter visto este vídeo até à exaustão. Ontem dei por mim a ler os comentários a esta notícia no Público online (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323264&idCanal=58) e fiquei até às 2h da manhã a lê-los, numa espécie de fascinação masoquista, e depois de ter prometido a mim mesma parar de ler esse tipo de coisas pelo mal que me fazem.
Os portugueses andam a precisar de fazer uma psicanálise muito bem feita para descobrir onde anda a raiz de tal ódio contra os professores.
Até nestes comentários lá veio a velha frase de que os professores não querem ser avaliados, pessoas a comentar a actuação da professora, a dizer que ela não conseguiu manter a disciplina, que não tinha nada de roubar o telemóvel à aluna, etc.
Dei aulas três anos no Carolina Michaëlis. Não conheço a professora em questão, pelo menos não me lembro dela, já foi há uns anos. Mas reconheço neste filme uma actuação firme e respeitosa. A professora fez aquilo que cada um de nós deveria fazer. É muito fácil dizer "eu faria assim", ou "eu faria assado". Pois eu não sei o que faria numa situação destas. Não sei se me manteria tão calma.
Criticam a professora por não ter apresentado queixa. Alguém sabe o que acontece quando se apresenta uma queixa?
NADA.
Pois é, nada de relevante. As escolas e as DREs nunca querem avançar, para os meninos não ficarem com cadastro...
Eu não vejo meninos de bairros sociais naquela turma, aqueles que toda a gente acha que cometem estes actos. Vejo meninos de classe média. Pois é.
Por coincidência, no Carolina Michaëlis (concidência ou talvez não...) quando chamei pela quinquagésima vez um pai da minha direcção de turma (um 9º ano, por sinal) à escola para lhe dizer que o seu filho, para além dos problemas disciplinares que tinha (que nem eram assim tão graves, bem vistas as coisas) tinha faltas de atraso constantes porque ficava na Associação de Estudantes a jogar bilhar, o pai disse-me que a culpa era nossa, escola, porque o filho dele era uma criança (tinha 15 anos na altura) e nós é que tínhamos a obrigação de o ir buscar à Associação de Estudantes para ele vir para a aula... Também não é por acaso que o irmão mais velho deste aluno, na altura no 11º ano, creio, foi transferido da escola pelo pai no momento em que já estava previsto um Conselho Disciplinar para ele. Esse pai tinha formação superior. Hoje os filhos dele serão adultos, de corpo, pelo menos. A formação que terão?? Não sei... Até acredito que tenham formação superior como o pai; a formação moral é que... enfim, com um exemplo desses não há-de ser grande coisa.
Se esta menina e o resto da turma não forem punidos como deve ser, iremos assistir a mais cenas destas. Pode acontecer ao professor mais calmo e ponderado. E se acontecer a mim, eu garanto que apresentarei queixa na polícia, mesmo contra a vontade da DREN.
Eu não vou ao ponto de dizer que a culpa do comportamento destes adolescentes é da Ministra, do Governo e das suas políticas, a culpa será dos pais, da sociedade (sim, claro) e dos próprios, que já têm idade para pensar pela sua cabecinha. Mas três anos de constante desautorização em público dos professores, de responsabilização dos professores pelos males do sistema educativo, só levam ao aumento deste tipo de situações. É grave.
Eu exijo a minha autoridade de volta. Eu exijo poder apreender tudo o que esteja a perturbar a aula e a concentração dos alunos e sentir que a escola e a lei estão do meu lado. Exijo dar aulas sabendo que, se precisar de actuar disciplinarmente, serei apoiada pela escola, pela DREN e pela sociedade.
Aqui há uns tempos uns alunos disseram que seria bom se as aulas fossem filmadas, porque assim se via como os professores dão as aulas, etc. Pois eu deixei-os sem resposta ao dizer simplesmente: sim, era bom, assim toda a gente via como os alunos realmente se comportam e deixava de ser a palavra de um contra a palavra do outro. Eu gostava de ter as minhas aulas filmadas. Talvez assim passasse a dar mais aulas e menos palestras sobre comportamento. Este aluno, apesar de ter filmado isto com o intuito de humilhar a professora e de dever ser castigado por isso, acabou por nos prestar um serviço!
Já agora, não tenho problemas graves de comportamento nas minhas aulas, mas tenho alunos que, se não forem bem controlados, têm potencial para fazer isto e muito mais. O facto de ainda não ter acontecido não quer dizer que não venha a acontecer. Eu sou uma das pessoas que normalmente não deixo passar as situações que considero inaceitáveis e participo tudo o que achar que deve ser participado. Já ouvi insinuações de que faço mais participações do que outros colegas (eu e não só) como quem diz: "não controla os alunos". Pois, era bem mais fácil olhar para o lado e fazer de conta, fazer de conta que não vejo o telemóvel, o papelzinho a voar, a resposta torta, etc, que também acontecem a quem não faz participações só para não se chatear. Tenho de admitir que já fiz de conta ocasionalmente, e não me orgulho disso. Já estive numa situação em que, precisamente por causa dum telemóvel, o passo seguinte seria o confronto físico entre mim e o aluno. Tive sorte que o aluno, apesar de tudo, é sensato e não me tiraria o telemóvel da mão como esta aluna fez à professora. Eu também não lho tirei da mão, simplesmente participei a situação e recusei-me a envolver-me num confronto. Se ele mo tivesse tentado tirar da mão? Não sei o que faria...
Esta professora foi muito corajosa e agiu muito bem. Não deixou passar o que achou que estava mal.
Só peço a quem de direito que aja exemplarmente, caso contrário vai haver casos muito mais graves em breve!! Estão à espera que haja mortos ou feridos graves para agir??
Daqui a 15 anos hão-de precisar de professores e não os hão-de ter... Nessa altura vão andar connosco nas palminhas...
Os portugueses andam a precisar de fazer uma psicanálise muito bem feita para descobrir onde anda a raiz de tal ódio contra os professores.
Até nestes comentários lá veio a velha frase de que os professores não querem ser avaliados, pessoas a comentar a actuação da professora, a dizer que ela não conseguiu manter a disciplina, que não tinha nada de roubar o telemóvel à aluna, etc.
Dei aulas três anos no Carolina Michaëlis. Não conheço a professora em questão, pelo menos não me lembro dela, já foi há uns anos. Mas reconheço neste filme uma actuação firme e respeitosa. A professora fez aquilo que cada um de nós deveria fazer. É muito fácil dizer "eu faria assim", ou "eu faria assado". Pois eu não sei o que faria numa situação destas. Não sei se me manteria tão calma.
Criticam a professora por não ter apresentado queixa. Alguém sabe o que acontece quando se apresenta uma queixa?
NADA.
Pois é, nada de relevante. As escolas e as DREs nunca querem avançar, para os meninos não ficarem com cadastro...
Eu não vejo meninos de bairros sociais naquela turma, aqueles que toda a gente acha que cometem estes actos. Vejo meninos de classe média. Pois é.
Por coincidência, no Carolina Michaëlis (concidência ou talvez não...) quando chamei pela quinquagésima vez um pai da minha direcção de turma (um 9º ano, por sinal) à escola para lhe dizer que o seu filho, para além dos problemas disciplinares que tinha (que nem eram assim tão graves, bem vistas as coisas) tinha faltas de atraso constantes porque ficava na Associação de Estudantes a jogar bilhar, o pai disse-me que a culpa era nossa, escola, porque o filho dele era uma criança (tinha 15 anos na altura) e nós é que tínhamos a obrigação de o ir buscar à Associação de Estudantes para ele vir para a aula... Também não é por acaso que o irmão mais velho deste aluno, na altura no 11º ano, creio, foi transferido da escola pelo pai no momento em que já estava previsto um Conselho Disciplinar para ele. Esse pai tinha formação superior. Hoje os filhos dele serão adultos, de corpo, pelo menos. A formação que terão?? Não sei... Até acredito que tenham formação superior como o pai; a formação moral é que... enfim, com um exemplo desses não há-de ser grande coisa.
Se esta menina e o resto da turma não forem punidos como deve ser, iremos assistir a mais cenas destas. Pode acontecer ao professor mais calmo e ponderado. E se acontecer a mim, eu garanto que apresentarei queixa na polícia, mesmo contra a vontade da DREN.
Eu não vou ao ponto de dizer que a culpa do comportamento destes adolescentes é da Ministra, do Governo e das suas políticas, a culpa será dos pais, da sociedade (sim, claro) e dos próprios, que já têm idade para pensar pela sua cabecinha. Mas três anos de constante desautorização em público dos professores, de responsabilização dos professores pelos males do sistema educativo, só levam ao aumento deste tipo de situações. É grave.
Eu exijo a minha autoridade de volta. Eu exijo poder apreender tudo o que esteja a perturbar a aula e a concentração dos alunos e sentir que a escola e a lei estão do meu lado. Exijo dar aulas sabendo que, se precisar de actuar disciplinarmente, serei apoiada pela escola, pela DREN e pela sociedade.
Aqui há uns tempos uns alunos disseram que seria bom se as aulas fossem filmadas, porque assim se via como os professores dão as aulas, etc. Pois eu deixei-os sem resposta ao dizer simplesmente: sim, era bom, assim toda a gente via como os alunos realmente se comportam e deixava de ser a palavra de um contra a palavra do outro. Eu gostava de ter as minhas aulas filmadas. Talvez assim passasse a dar mais aulas e menos palestras sobre comportamento. Este aluno, apesar de ter filmado isto com o intuito de humilhar a professora e de dever ser castigado por isso, acabou por nos prestar um serviço!
Já agora, não tenho problemas graves de comportamento nas minhas aulas, mas tenho alunos que, se não forem bem controlados, têm potencial para fazer isto e muito mais. O facto de ainda não ter acontecido não quer dizer que não venha a acontecer. Eu sou uma das pessoas que normalmente não deixo passar as situações que considero inaceitáveis e participo tudo o que achar que deve ser participado. Já ouvi insinuações de que faço mais participações do que outros colegas (eu e não só) como quem diz: "não controla os alunos". Pois, era bem mais fácil olhar para o lado e fazer de conta, fazer de conta que não vejo o telemóvel, o papelzinho a voar, a resposta torta, etc, que também acontecem a quem não faz participações só para não se chatear. Tenho de admitir que já fiz de conta ocasionalmente, e não me orgulho disso. Já estive numa situação em que, precisamente por causa dum telemóvel, o passo seguinte seria o confronto físico entre mim e o aluno. Tive sorte que o aluno, apesar de tudo, é sensato e não me tiraria o telemóvel da mão como esta aluna fez à professora. Eu também não lho tirei da mão, simplesmente participei a situação e recusei-me a envolver-me num confronto. Se ele mo tivesse tentado tirar da mão? Não sei o que faria...
Esta professora foi muito corajosa e agiu muito bem. Não deixou passar o que achou que estava mal.
Só peço a quem de direito que aja exemplarmente, caso contrário vai haver casos muito mais graves em breve!! Estão à espera que haja mortos ou feridos graves para agir??
Daqui a 15 anos hão-de precisar de professores e não os hão-de ter... Nessa altura vão andar connosco nas palminhas...
Etiquetas: ensino


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home